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Homenagem ao arquiteto João Vilanova Artigas

1 de julho de 2015
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Senhor Presidente,
Senhoras Deputadas,
Senhores Deputados,

Nesta semana, no dia 23/6, completaria 100 anos um homem que deixou um dos maiores legados para arquitetura brasileira: João Vilanova Artigas. O paranaense de temperamento forte e assertivo foi responsável pelos projetos da Faculdade de Arquitetura da USP, do Estádio Morumbi, Rodoviária de Jaú, edifício Louveira, entre outros.

Radicado em São Paulo, foi fundador e professor universitário da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Nasceu em Curitiba, em 1915 e se formou na Escola Politécnica da USP. Conhecido por sua atuação política de esquerda e associação com o Partido Comunista Brasileiro, foi demitido da FAU em 1969 na esteira do AI-5 e exilou-se no Uruguai.
Artigas voltou ao Brasil pouco tempo depois, mas só retornou à FAU depois da anistia e na condição secundária de professor auxiliar.

Como bem definiu o arquiteto Álvaro Razuk, curador de sua obra que está exposta em São Paulo, Artigas guarda em sua dimensão humana o papel de arquiteto, educador e homem público. Todos igualmente importantes para a história brasileira.

Comunista, João Vilanova nunca se omitiu em discutir a função social da arquitetura. Ele se tornou professor titular somente em 1985, quando foi professor da disciplina Estudos de Problemas Brasileiros, criada pela ditadura militar e imposta pelo regime às faculdades brasileiras como instrumento de controle ideológico. Durante este curso, subverteu o programa clássico da disciplina e levou à FAU diversas personalidades do mundo artístico, político e cultural, intelectuais de esquerda que também haviam sido perseguidos pelo regime, entre eles o pintor Aldemir Martins, o ator Juca de Oliveira e o então cardeal-arcebispo de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns.

Arquiteto competente e talentoso, imprimiu em suas obras capacidade de vincular dureza e sensibilidade através do concreto bruto da estrutura e delicadeza da luz que esvai de lajes, deixando seu legado vivo em obras e permanente aprendizado a quem o segue e seguiu como acadêmico. Educador, foi autor da reforma curricular da FAU, importante ao definir uma séria de novas possibilidades de prática e atuação profissional aos novos arquitetos, associando a eles áreas como o desenho industrial e a programação visual, por acreditar que tal profissional deveria participar ativamente no desenvolvimento de todos os processos industriais requeridos pelo projeto nacional-desenvolvimentista então em voga no país.

Registro aqui, então, na condição de arquiteto e urbanista, o centenário de quem foi grande como arquiteto, homem público e educador. Sobretudo, quem foi pleno sendo tudo isto ao mesmo tempo. A memória de João Vilanova Artigas nos inspira a enfrentar a concretude e dureza das injustiças que presenciamos, mas lançando luz sobre o futuro de igualdade, liberdade e justiça que haveremos de construir.

Edmilson Rodrigues
Deputado Federal PSOL/PA

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